domingo, 15 de fevereiro de 2015

Planeta Terra

Fotos: Reprodução





















Surreal. Emocionante.

Série que, em uma única temporada, com 11 episódios, de 44 minutos cada, é o apanhado geral de uma viagem incrível por cada canto do Planeta Terra. Mais completa e compacta, impossível. E deveria ser obrigatoriamente assistida por todo e qualquer terráqueo que se preze.

Como diz a sinopse do Netflix, "leva amantes da natureza da Cordilheira do Himalaia às profundezas do oceano, passando por todos os lugares pelo caminho". É aquele tipo de documentário que informa e entretêm ao mesmo tempo, unindo imagens belíssimas com uma dose cavalar de conhecimento, e eu sinceramente poderia passar a vida olhando para algumas cenas de tão encantadoras. (Me rendi ao Netflix, sim, fui a última pessoa do planeta a fazer isso e não, não vou ter vida a partir de agora de tanta coisa boa que tem pra ver).

Acho que a natureza nunca vai deixar de me impressionar, e eu adoraria conhecer cada lugarzinho do mundo. Mas, como nem todos os lugares são acessíveis, que bom que existem pessoas corajosas o suficiente para desbravar o nosso grandioso planeta, às vezes arriscando suas vidas, para nos dar um presente como esse.

Fiquei de boca aberta com a qualidade das filmagens, todos os detalhes, as cores, tudo é de uma riqueza excepcional. Adoro os trechos em câmera acelerada, que mostram todo o desenvolvimento de um fungo, por exemplo. Teve momentos em que fiquei pensando, mas na verdade mal posso imaginar, além de todo o dinheiro gasto, o trabalho que deu para fazer tudo isso. A trilha sonora é maravilhosa, composta por música clássica, sincronizada com cada cena, fazendo realmente parecer que tudo é orquestrado por uma força maior. Não posso deixar de citar o narrador, que também é ótimo, parece um vovozinho contando histórias (o que pode se tornar um verdadeiro sonífero às vezes, mas de qualquer forma é ótimo). 

Sempre gostei desses programas de TV sobre natureza, plantas, animaizinhos fofos e essas coisas, porque sinto que me transporta para universos paralelos que nós, na maior parte do tempo, não temos a consciência de que coexistem conosco, e esse é um documentário especial que merece destaque. É tão mágico ver como os demais seres vivem, as paisagens deslumbrantes, coisas como o cavalo marinho pigmeu que eu nunca ia saber que existia se não fosse por esse documentário, tanta vida com todas as suas curiosidades e tanta coisa a ser desvendada ainda... E como a natureza é harmoniosa, perfeita e, especialmente, muito louca!

"Nosso planeta ainda está cheio de maravilhas. Assim como exploramos ele, não ganhamos apenas compreensão, mas poder. Não é somente o futuro das baleias que hoje está em nossas mãos, é a sobrevivência do mundo natural em todas as partes onde há vida. Nós podemos destruir agora, ou podemos apreciar. A escolha é nossa."

Danças do acasalamento podem ser tão bizarras quanto engraçadas


















Me despeço com um pouquinho do urso polar que me fez morrer de amores de tão fofo que ele é, e ao mesmo tempo despedaçou meu coração porque corre o risco de entrar em extinção por causa do aquecimento global: https://www.youtube.com/watch?v=BSWa8DZEy84

Os papais pinguins chocando seus ovinhos foi outra das cenas que me matou de fofura. Obrigada, equipe de filmagem que quase morreu congelada para isso.

Ah, agora vou começar a avaliar as séries, ou o que for, entre 1 e 5 estrelas, porque eu acho que assim as resenhas vão ficar mais completas. No caso dessa não tem como ser menos de 5 estrelas, eles fizeram um trabalho simplesmente impecável. 



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Curto e Grosso

Foi no momento em que afinal estacou em frente a seu escritório que o velho homem teve nítida a sensação de que a última porta estava sendo fechada bem diante de seus olhos. Após um último longo e pesaroso suspiro, enfim juntou um pouco da coragem que ainda lhe restava e girou a maçaneta. Seus pés cansados de algum jeito o levaram adiante, até que de ombros caídos acabou por adentrar completamente o lugar que um dia fora o palco de sua vida. Foi de imediato recebido por uma dificuldade pior que a costumeira em respirar, dentro da saleta puída e abafada, que denunciava o esquecimento proposital desse cômodo por parte das restantes moradoras da casa.

Como se sua alma tivesse sido sugada a vácuo em direção a um sono profundo e decidido ficar por lá, absorta em memórias afáveis, passou a agir mecanicamente, enquanto seus olhos fixavam algo que não podia ser visto porque não existia mais. Desconfortável no lugar que sempre lhe fora tão familiar, se reprimia vagamente por não ter previsto onde tudo isso ia dar.

Já havia se tornado uma assombração antes mesmo de partir. As filhas, enlutadas, por certo haviam repousado o sofrimento que lhes era legítimo em algum canto da casa enorme e vazia. Sua amável esposa... nunca se acostumaria a vê-la como ex depois de toda uma história de vida compartilhada. Ela havia organizado as duas agendas metodicamente de forma que evitasse a todo custo um reencontro. Fosse como fosse, queria apenas fazer o que tinha que ser feito o mais rápido possível. Nunca gostou de despedidas e com a sua não ia ser diferente.

Gostaria de não ter se demorado tanto no retrato de casamento que ela num rompante daquela ironia ácida que lhe era peculiar havia colocado sobre a cômoda. Lançou mão dos poucos objetos que tinha acumulado ao longo da vida, enfiados desajeitadamente pra dentro de uma mala, por alguém que tivera se obrigado a ter estômago pra isso. Assim como preferia ter ignorado a cama de solteiro e toda a mobília improvisada que compunha a réplica perfeita do quarto de estudante solteirão que havia sido seu em tempos longínquos. Beber e jogar era o único prazer que lhe restara, e já havia meses que dormia sozinho e da mesma forma fazia suas refeições no pequeno quarto, onde finalmente dispunha de privacidade para suas suspeitas ligações telefônicas. Na esperança de que se tornasse um lugar onde poderia recolher-se a sua solidão e pensar no que exatamente estava fazendo com o final de sua vida.

Quase podia sentir cravejados sobre suas costas os olhares que atravessavam as paredes vindos das últimas mulheres no mundo que gostaria de ver com o coração partido. Ele que sempre fora o patriarca de pulso firme, dono da razão e da última palavra naquela casa, e agora o ancião que já viveu o suficiente para saber o que estava fazendo, não admitiria confrontos. Que já viveu o suficiente.

Foi em vão seu descomunal esforço para não pensar em nada, pois logo foi surpreendido por um pensamento sorrateiro e infantil... Será que seriam capazes de perdoá-lo um dia? Passadas as mágoas, haveria uma manhã de domingo em que se lembrariam com carinho, não de quem ele havia se tornado, mas da pessoa que fora um dia? Um dia elas iriam entender.

De repente, ele que sempre esteve preparado pra tomar decisões rápidas quando entre a vida e a morte, se pegou vacilando por mais de um instante, e se deu conta que isso já tinha ido longe demais.

Era chegada a hora. Como se não existisse dor, mal sentiu o nó que se formava em sua garganta e tornaria seus olhos marejados antes que pudesse fazer qualquer coisa. Seguiu seu caminho sem externar qualquer emoção. Tal qual o cão que se isola da matilha quando pressente que o fim está próximo, estava convicto que essa era a decisão certa a ser tomada. Pegou suas coisas e foi embora sem dizer uma palavra. Curto e grosso, deixou pra trás tudo o que fez com que a vida tivesse sentido alguma vez. 

De peito oco, se deixou levar pelos caminhos tortuosos que desembocariam em braços docemente perfumados, onde seria recebido pelos beijos gloriosos de uma boca escandalosamente vermelha, da moça com quem decidira matar o tempo que lhe restava. Nunca tentou mudar o desfecho de sua história, apenas sabia que precisava ser assim.

- Que seja. 

Morreu nas mãos de uma enfermeira qualquer.

Fotos: Reprodução


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Fiar, Chorar e Esperar

"As mulheres da nossa família têm um fardo a carregar, fiar, chorar e esperar..." O Tempo e o Vento - Érico Verissimo

De repente, tudo o que restava era um novelo de lã. Não que não houvessem outros objetos espalhados pela casa, compondo a mais perfeita desordem. Uma velha conhecida que insistia em pedir que uma atitude fosse tomada, inconveniente e teimosa, assim como toda a sujeira que implorava por limpeza. Dizem que a bagunça de um quarto reflete a confusão mental de quem nele dorme. Eu sempre soube que era um caso perdido. Encontrava em qualquer outra coisa um motivo vagamente convincente pra seguir procrastinando o que se demonstrava como sendo um afazer tão inútil quanto infinito. Quanto mais arrumasse e limpasse, mais coisas surgiriam pra ser limpas e arrumadas. É uma tarefa que não tem um fim. Não é como escrever um texto ou fazer tricô. Deve ser por isso que as donas de casa sofrem de depressão. 

É que alguns objetos tem o costume impertinente de chamar mais a atenção do que outros. Também é assim com as pessoas. De alguns deles quase se podia ouvir o que diziam aos gritos, brados inexistentes que ecoavam pelos ouvidos. Também acontecia com as cortinas, alvas, imaculadas, puras como se nunca tivessem conhecido o pecado. Dissimuladas. As garrafas vazias que se multiplicavam. No cinzeiro transbordando em cinzas de cigarros fumados pela metade mais um retrato do vazio. Quanto às plantas, elas continuavam crescendo vigorosamente, quase que alegremente, como se pouco se importassem com as mãos pelas quais outrora tinham sido semeadas. 

A cidade dormia seu sono triunfal, de pessoas que provavelmente imaginavam ter motivos pra esperar por um longo dia pela frente. Mais uma semana dentro dos conformes, feliz, talvez. Por hora tudo permaneceria no mais insano silêncio, não fosse pelo barulho ensurdecedor da geladeira. Abrindo e fechando a geladeira a noite inteira, com fome de algo que sabia que não iria encontrar lá. E quando não fizesse mais sentido andar de um lado para o outro da casa, o que pareceria loucura aos olhos de um ser invisível que se fizesse presente, sairia sacada afora pra acender mais um cigarro, como se assim pudesse finalmente dar um sentido à vida. Olhar para o céu, ver no movimento das nuvens, a mesma paisagem de todos os dias. Esperando ingenuamente por alguma novidade. Essa deveria ser uma ocupação legítima, mais do que sair da cama em direção ao cotidiano tedioso e necessário, apenas fumar e escrever ou fiar, chorar e esperar.

O novelo de lã continuava lá. Acredito que novelos de lã possuem peculiaridades que são inenarráveis, mas que fazem jus à vã tentativa de serem exploradas por uma narrativa qualquer.  Todos eles trazem consigo um tipo de esperança desconfortável. Não se pode comprar um novelo de lã impunemente. É preciso que se dê um destino a ele. Um sapatinho, uma touca, um cachecol. Alguma coisa. Nós acabamos adquirindo muitas coisas, coisas que vão se consumir imediatamente ou simplesmente jazer como enfeite numa prateleira, coisas demais. Mas partir do momento em que se compra algo como um novelo de lã, é firmado um compromisso entre ele e você. Não se pode simplesmente deixar pra lá. As coisas que precisam ser feitas chamam com mais urgência quando se tenta escondê-las furtivamente no fundo de uma gaveta.  E o novelo de lã continuava lá.

Não só pra me fazer lembrar de sua melancólica existência, mas exigindo que se tomasse uma providência, que não fosse a alcoólica. Não é como uma planta, só o que se tem a fazer é semear e esperar que ela faça por si só o que se propôs a fazer. Com um pouco de terra, água, sol e carinho, as plantas dão conta do recado. É importante que se olhe pra elas todos os dias. É possível encontrar alguma satisfação em vê-las crescendo coradas e rijas, dando flores como que sorrindo pra você. De alguma forma, é como se elas soubessem quem realmente olha por elas. A minha avó tinha verdadeiro apreço por plantas e não é difícil entender o porquê. 

Um novelo de lã não passa de um amontoado de fios, emaranhados de forma graciosa e perturbadora. Ele tem uma cor, uma textura, uma promessa. Tem tudo a ver com alguma pessoa. Você imaginou como ficaria bem em alguém a peça a que planejou dar forma um dia. Pensou em como seria uma boa surpresa. Pouco importa que esse acontecimento nunca vai se concretizar, de qualquer forma já aconteceu, dentro da sua mente. Não adianta tentar levianamente dar outro tipo de destinação a ele. Você não pode simplesmente sair pelas ruas usando um cachecol que não é seu com um sorriso no rosto, muito menos jogar o objeto de um furto por antecipação nas mãos de um inocente.

Você precisa apenas ir trançando os fios ou as palavras de alguma forma lógica até que isso acabe por se transformar em algo. Algo belo, que seja admirável. Nessa vida é preciso desenvolver algum talento que faça com que você se sinta alguém, alguém que não viveu inutilmente, que deixou a sua marca no mundo. Que faça a pessoa a quem você dedica a sua obra-prima se sentir especial. É o que se pode dizer sobre a arte. Não faria sentido tamanha dedicação e horas perdidas, e então guardar tudo pra si mesmo, sem fazer mais alguém feliz. É isso que nos faz levar a vida adiante, afinal. A arte é como a luz no fim do túnel. É ainda ter algo belo e luminoso pra se olhar quando tudo ao redor escurece. 

Uma terapia, isso de ocupar as mãos e desocupar a mente. É como se fosse possível ter uma boa conversa com algumas coisas, como se ao falar com elas, curiosamente, elas falassem de volta.  Como se a cada passada de agulha uma pergunta fosse respondida. A cada linha escrita, as coisas se tornassem mais claras. 

Todo mundo precisa de algo pra seguir em frente, e ir desembolando e bolando os fios até que eles formem alguma coisa de aspecto melhor que um novelo, parece uma boa ideia. Já sei. Qualquer coisa que faça sentido. Que possa ser útil a alguém. Que possa aquecer em dias frios. A sua textura macia talvez traga consigo algum conforto. Que formasse a composição perfeita com a cor dos olhos de alguém. Que pudesse até ser impregnado pelo doce perfume de outra mulher. Que possa fazer lembrar de mim.

Fios e mais fios fazendo o que eles fazem de melhor, ir do nada ao lugar nenhum.

Delírios.

Talvez a coisa certa a se fazer, aquela racional, fosse tão somente transformar a porra toda em uma grande e majestosa fogueira. Novelos de lã, chambres, cortinas. Folhas e mais folhas de caderno. Teatral, poético, simbólico. Ritualístico, até. 

Bom seria se fosse possível, com a mesma facilidade, transformar em cinzas todos os pensamentos idiotas sobre o que foi, o que não foi e, principalmente, o que poderia ou não ter sido. Deixar que todos os sentimentos, ansiedades e angústias, finalmente descansem em paz. Dar a eles um funeral digno. E depois jogar pelos ventos o que restou e sair andando. Com leveza. Como se nada tivesse acontecido.

Fotos: Reprodução

domingo, 19 de outubro de 2014

Livros ou Travessuras?

Estou participando do Projeto Blogagem Literária Coletivapromovido pelos Blogs Chá & Livros, Os Literatos e Diário de uma Livromaníaca, que trazem a cada semana um tema novo pra inspirar nossas postagens. Diga-se de passagem que estou surpresa com a criatividade do pessoal e muito animada com o projeto! Como estamos no mês das bruxas, escolhi pra responder essa TAG, que já é temática, livros que de alguma forma também remetem ao Halloween:

Fotos: Reprodução


1°. Livro Drácula: Os vampiros são caracterizados por sugar o sangue alheio, cite aquele livro que sugou todas as suas forças, deixando você sem ar.

Não é uma história sobre vampiros, mesmo assim, O Morro dos Ventos Uivantes sugou todas as minhas forças em dois sentidos: primeiro porque a forma como foi escrito é um pouco cansativa, não é aquela leitura que flui com facilidade, você custa a passar pelas páginas; segundo porque o enredo em si é denso, pesado, sombrio. Me interessei por esse livro por ser o favorito do casal Edward e Bella, de Crepúsculo, mas não foi exatamente o tipo de leitura que eu estava esperando, é outro nível. De qualquer maneira, é um clássico, valeu a pena a ter lido.

2°. Livro Fantasma: É de consenso geral que os fantasmas existem nas histórias de terror para assustar e assombrar a todos. Comente sobre aquele livro que te assombrou durante muito tempo.

Os Sete, esse sim é um livro sobre vampiros, e que livro. Não aquele tipo de livro sobre vampiros que na verdade é um romance água-com-açúcar, tipo Crepúsculo. Dá medo mesmo. Os vampiros são cruéis e querem ver sangue, como tem que ser. André Vianco é um dos autores nacionais dos dias de hoje que merecem destaque. 

3°. Livro Lobisomem: Tal qual a licantropia que passa de mordida por mordida, cite um livro que você gostou tanto que indicou a várias pessoas.

O Livro dos Espíritos não é terror, embora a ideia de espíritos entre nós possa causar arrepios em algumas pessoas. Na verdade é um dos livros básicos da Doutrina Espírita. Um bom livro pra curiosos, como eu. É feito de perguntas e respostas sobre os principais temas que afligem a humanidade, em que as perguntas feitas pelos médiuns são respondidas por espíritos, o que foi posteriormente reunido nessa obra por Allan Kardec. Eu sempre indico esse livro, que foi um divisor de águas na minha vida. A descoberta do Espiritismo trouxe consigo um mundo completamente novo pra mim. Não tenho uma religião, sou espiritualista. E simpatizante com o Espiritismo, que muito me encanta. Sou a favor de buscar conhecer e entender ao máximo a diversidade religiosa que temos pelo mundo afora, e só então escolher uma crença, ou não! Esse livro é antigo e tem muitas edições, por isso escolhi a primeira capa.

4°. Livro Bruxa: Bruxas são famosas por jogarem feitiços e maldições nas pessoas. Portanto, conte-nos qual livro que te enfeitiçou, pode ser tanto de forma positiva quanto negativa.

Não poderia escolher outro senão Harry Potter,  que me enfeitiçou completamente e de forma positiva, sem dúvidas! O que falar sobre essa série? É a minha série preferida de todos os tempos. Harry Potter e a Pedra Filosofal foi meu livro start, minha mãe comprou e me forçou um pouco a ler no começo, mas não demorou muito pra eu criar o amor pela leitura. Passei boa parte da infância/adolescência esperando ano após ano pelo lançamento dos próximos livros e filmes, foi realmente uma época mágica. Nem sei o que dizer, eu só queria ter recebido a minha carta de Hogwarts quando fiz 11 anos. 

5°. Livro Frankenstein: Infelizmente, o Frankenstein é aquele personagem o qual as pessoas julgam pela sua aparência aterrorizadora. Em sua homenagem, comente aquele livro que a princípio você julgou mal pela capa, mas ao ler você acabou gostando da história.

Vamos combinar que essa capa de Incidente em Antares é bem sem graça, né? E como se não bastasse isso, fui "obrigada" a ler no colégio, o que também não ajuda a tornar a leitura algo muito animador. Literatura nacional, Érico Verissimo, 496 páginas. Na minha cabeça, tinha tudo pra ser ruim, mas eu sempre tentava dar uma chance para os livros que meu professor de Literatura cobrava, porque às vezes acabava gostando, e não é que esse livro foi um desses? É a história de terror mais maluca de todas! Cadáveres saindo de suas tumbas, só pra dar uma prévia. Eu morava com meus avós na época do colégio, e lembro de ter contado pro meu vô sobre esse livro enquanto estava lendo, e ele lembrou de ter lido também na época de colégio, de tão marcante que é a história. Acho que eu daqui 50 anos ainda não vou ter esquecido.

6°. Livro Zombie: O Zombie é aquele personagem clássico que não dorme. Qual foi o livro que te fez ficar acordada a noite toda sem conseguir parar de ler?

Lembro de ter passado várias noites em claro até terminar de ler a saga Crepúsculo. Pra que dormir? Eu realmente mergulhei de cabeça nessa história. Apenas queria mais do que tudo ser uma vampira, e não precisar dormir era uma das grandes vantagens nisso, dentre outras. Além disso, me apaixonei perdidamente pelo Edward. 




7°. Livro Gato Preto: Essa é aquela lenda que você não sabe se acredita ou não e acaba ficando confuso. Sendo assim, fale daquele livro que te deixou confuso, sem saber muito bem como reagir a ele.

Até hoje não sei se amei ou odiei A Hospedeira. Li por ser da mesma autora de Crepúsculo, série que eu adorei, mas a proposta desse livro é totalmente diferente. Ficção científica futurista ou lunática. É um enredo bizarro, e não sei se de um jeito bom ou ruim. Não sei mesmo. 





8°. Livro Fogueira: A fogueira foi a causa das mortes injustas de muitas “bruxas”, assim como um símbolo presente em várias narrativas de horror. Conte sobre aquele livro que acendeu uma chama interior e te deixou pegando fogo de tanta raiva.

Eu definitivamente detestei A Cabana. Criei muita expectativa e no final das contas não entendi como tanta gente gostou, minha vó gostou. Tem umas passagens bonitas, mas o livro não fez o menor sentido pra mim, achei o enredo sem pé nem cabeça, apenas. Sabe aquele autor que vai contando uma história mais mirabolante que a outra, você se esforça pra ler até o final, achando que vai encontrar uma boa explicação pra tudo com um belo desfecho, e acaba que tudo não passou de um sonho, ou algo do tipo, simplesmente deixa tudo no ar? Sim, passei raiva e vontade de tacar fogo. 

9°. Livro Cavaleiro Sem Cabeça: Diz a lenda que o Cavaleiro que assombrava Sleepy Hollow perdeu a cabeça durante a Guerra da Independência dos EUA. Porém aqui o que faz perder qualquer parte do corpo são os livros, por isso, conte-nos sobre aquele livro que te fez perder a cabeça, ou seja, a compostura.

Misto quente. Esse é um livro que eu estou terminando de ler, na verdade. Charles Bukowski é genial e ao mesmo tempo completamente insano, me fez rir tanto quanto chorar. Simplesmente perplexa, em vários momentos eu não conseguia acreditar no que estava lendo. Ele te leva até as nuvens e então, sem aviso prévio, despenca em direção a uma fossa qualquer. É a simples história de terror da vida real, um verdadeiro tapa na cara.



10°. Livro Cemitério: O cemitério é um cenário clássico do Halloween e das narrativas de terror, ele é considerado um lugar terrivelmente calmo e silencioso, reservado para o sepultamento dos mortos. Para caracterizar o cemitério, cite aquele livro que você enterrou na sua estante, não terminou de ler ou nem mesmo começou, seja por ter esquecido ou por ter desanimado com a história.

Ih, tem vários... Vááários. Mas ainda pretendo ler todos.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Um Gato de Rua Chamado BOB

É, eu li sobre a história de vida de um gato, um tal de Bob. E morri de amores. Às vezes faz bem ler qualquer coisa envolvendo animais fofos. 

Dizem que tem gente que é mais de gato e tem gente que é mais de cachorro. Hoje em dia nem sei dizer de qual dos dois gosto mais, e pensar que houve a época em que eu amava cachorros e odiava gatos. Por algum motivo que eu nunca entendi, meus avós detestavam gatos, eles eram totalmente mais de cachorro. E eu também fui assim, sem saber o porquê, até que conheci uma grande amiga minha aos 13 anos, que era e ainda é uma pessoa mais de gato. Ela tinha um gato laranja maravilhoso chamado Nick. Esse livro me fez lembrar do Nick o tempo todo.















Além de contar o brilhante cotidiano de um gato fora do comum, esse livro também fala de superação. Não só o gato era um morador de rua, mas também seu "dono", o autor do livro, James Bowen. Muitas vezes as pessoas adotam animais de estimação, mas nesse caso foi o gato quem adotou James. Ele vivia nas ruas, havia perdido o contato com a família e tinha um longo histórico de vício em drogas, principalmente a heroína, do qual estava lutando para se libertar. Bob surgiu num momento em que James não conseguia dar conta de cuidar nem de si mesmo, quanto mais de um animal de estimação. James vivia um dia após o outro, fazendo apresentações de rua e alguns bicos para ganhar dinheiro, e seus maiores planos eram sobre como conseguiria a próxima refeição. Até que fez amizade com esse simpático gatinho laranja, pensando que ele em breve seguiria seu próprio caminho, mas não foi o que aconteceu. Bob ia junto aonde quer que ele fosse.






Depois de Bob, a vida mudou. As pessoas que antes passavam por James desviando o olhar e apressando o passo, sem parar pra ouvir sua música e muito menos jogar algum trocado na cestinha, agora ficavam encantadas com seu companheiro, parando constantemente para brincar com Bob e dar um agradinho aos dois. Ao lado dele, James não era mais invisível, pois Bob chamava muito a atenção. Logo as moedas se multiplicaram no cesto, enquanto Bob ganhava desde rações especiais, biscoitos e uma porção de guloseimas, até coleiras, roupinhas e em algum tempo já tinha uma coleção de cachecóis. No fim das contas, quem James pensou que seria uma despesa com a qual não teria condições de arcar, agora trazia consigo lucros jamais vistos. Pela primeira vez em muito tempo, ele foi obrigado a criar algum senso de responsabilidade, e isso motivou James a buscar uma vida melhor para ele e Bob. 

Como esse é um livro de não-ficção, praticamente uma auto-biografia, ele não segue um padrão de começo, meio e fim, com aquela história toda que vai evoluindo até atingir um clímax e depois um desfecho. É só uma linda história da vida real e simples de um homem cheio de problemas e seu animal de estimação, que não é um gato qualquer, é na verdade um gato muito especial, que mais parece gente, e as mais diversas peripécias dos dois. O que acaba tornando a leitura algo encantador para quem gosta desses bichanos. Eu que faz muito tempo que quero um gato, agora não só quero um gato, como quero um gato laranja!   

Fotos: Retiradas da fan page oficial no Facebook, "James Bowen & Street Cat Bob"